Biografia
Após a conclusão do curso de Medicina, escolhi pela realização da especialidade de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP), a Infectologia. Assim, após a aprovação em um concurso público para médicos recém-formados, consegui ingressar no Programa de Residência Médica em Doenças Infecciosas e Parasitárias do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (IIER) na cidade de São Paulo. O Instituto de Infectologia Emílio Ribas (São Paulo, SP) foi a instituição pioneira em oferecer o programa de Residência Médica em Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP) no Brasil, sendo 1971 o ano da sua primeira turma. O Programa de Residência Médica em DIP do IIER é credenciado pelo Ministério de Educação e Cultura e em 2014 foi revalidado pela Comissão Nacional de Residência Médica.
Por tratar-se de um centro de referência, ao longo dos três anos de Residência Médica, tive a oportunidade de lidar não apenas com patologias os quais estão habitualmente presentes em serviços de Infectologia com pacientes HIV-positivos/portadores da síndrome da imunodeficiência adquirida (sida) e patologias oportunistas correlatas, como também com doenças que constituem emergências infecciosas como meningites ou doenças as quais, em suas manifestações mais graves, também podem se traduzir em emergências médicas como, por exemplo, leptospirose, dengue e malária. Por fim, foi também no Pronto-Socorro do IIER aonde tive a oportunidade de ter contato com doentes com enfermidades menos comuns como difteria, coqueluche e febre maculosa. Para a atendimento dessas condições clínicas, a instituição dispõe de um Pronto-Socorro exclusivo para doenças infecciosas. Como exigência do programa, apresentei uma monografia (estudo retrospectivo de mais de 400 casos de malária por Plasmodium falciparum atendidos na Grande São Paulo).
Imediatamente após o término da minha formação como médico especialista em Doenças Infecciosas e Parasitarias, ingressei no Programa de Pós-Graduação na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Em 2007, obtive o título de Mestre em Doenças Infecciosas e Parasitárias após a defesa da dissertação intitulada “Salmoneloses: avaliação epidemiológica, clínica e laboratorial dos pacientes do Instituto de Infectologia Emílio Ribas com infecção por Salmonella spp., no período de janeiro de 1992 a dezembro de 2002”.
Após a conclusão do mestrado, retornei ao Instituto de Infectologia Emilio Ribas como médico efetivo através de aprovação em concurso público pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo. Durante quase três anos, com carga horária semanal de 20 horas, trabalhei no Pronto-Socorro da instituição aonde desempenhei atividade assistencial além de atividade de ensino junto aos médicos-residentes e aos acadêmicos de faculdades conveniadas com o Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Essa oportunidade em muito contribuiu para ganhar experiência voltada para o ensino na parte prática, a chamada “beira-de-leito”. Nessa época, também trabalhei durante quatro anos como médico preceptor do Serviço de Moléstias Infecciosas e Parasitárias do Hospital Municipal do Tatuapé sendo agraciado com a eleição de Paraninfo por uma das turmas de médicos formandos no Programa de Residência em Clínica Médica.
No ano de 2010, licenciei-me por três meses do Pronto-Socorro do Instituto de Infectologia Emílio Ribas para a concretização de um sonho antigo: participar do curso Diploma in Tropical Medicine & Hygiene (DTMH). Trata-se de um dos cursos mais tradicionais da London School of Hygiene and Tropical Medicine (Londres, Inglaterra) e antigos (existe há mais de 100 anos) na área de Doenças Tropicais no mundo. O curso tem carga horária total superior a 500 horas. Em 2014, para complementar e atualizar a minha formação na Medicina Tropical, realizei o curso Gorgas Expert Course in Clinical Tropical Medicine. O curso é realizado na Universidad Peruana Caeytano Heredia, Lima (Peru) sob a coordenação da University of Alabama at Birmingham (EUA).
A Medicina Tropical, entretanto, era apenas uma das minhas áreas de interesse principal. Assim, em 2008, aceitei o convite de trabalhar como médico Infectologista em um hospital destinado a pacientes privados da liberdade, o Centro Hospitalar do Sistema Penitenciário. Esta unidade tratava-se da unidade hospitalar de referência para presos de todo o Estado de São Paulo. Durante quase 4 anos, fui médico da Equipe de Infectologia e participava da condução clinica diária dos pacientes internados sob a responsabilidade desta equipe. Essa oportunidade profissional em muito contribuiu para sedimentar e ampliar a minha experiência profissional no manuseio de pacientes com as mais variadas formas possíveis de apresentação clínica e radiológica de tuberculose pulmonar, além de manifestações extra-pulmonares de tuberculose em consequência à imunodeficiência ocasionada pela infecção pelo HIV. Devido à demanda dos pacientes encaminhados das unidades prisionais de todo Estado de São Paulo com doenças infecciosas, a Equipe de Infectologia era a maior equipe do hospital.
Em 2012, após 12 anos residindo na cidade de São Paulo, regressei ao Rio de Janeiro aonde segui atuando como médico especialista em Doenças Infecciosas e Parasitárias. Fui médico assistente do Serviço de Infectologia do Hospital São Francisco de Assis na Providência de Deus (Rio de Janeiro), serviço de referência na assistência aos pacientes HIV+/sida do Estado do Rio de Janeiro durante toda existência do serviço (2012-2016).
Em 2013, tive a oportunidade de ampliar o meu exercício profissional para além da Medicina e ingressei na área da docência: fui contratado para ser professor colaborador na Disciplina de Doenças Infecciosas e Parasitárias da UNIGRANRIO (Campus Barra da Tijuca e Duque de Caxias). Nesse contexto, pude utilizar o aprendizado adquirido nos diversos anos de preceptoria de Residência Médica com o desafio de adaptar de forma adequada a abordagem e o nível de complexidade ao novo público-alvo: os acadêmicos do curso de Medicina. Na UNIGRANRIO, permaneci até 2016. No total, fui professor de 12 turmas e cerca de 700 alunos.
Em 2015, fui convidado a mais uma experiência inédita: a de coordenar um curso de capacitação destinados à profissionais da Saúde. Assim, fui o médico coordenador e coautor do projeto pedagógico do curso de “Capacitação no Manejo da Dengue e da Chikungunya” da SES-RJ (sub-Secretaria de Vigilância Epidemiológica) em parceria com a UNIGRANRIO.
Este curso tratou-se do treinamento oficial da SES-RJ oferecido a servidores municipais da Saúde (médicos e enfermeiros) para a capacitação na abordagem diagnóstica e no manuseio clínico da Dengue e da Febre de Chikungunya (e diagnósticos diferenciais). O projeto pedagógico incluiu aulas expositivas, simulações realísticas com manequim (com filmagens e debrifing na sequência) e metodologia ativa chamada OSCE. Na parte teórica do curso foi incluída aula expositiva com abordagem sindrômica dos principais diagnósticos diferencias de Dengue e Chikungunya com destaque para doenças exantemáticas (como sarampo e rubéola), patologias que geralmente se manifestam como doenças febris indiferenciadas (como malária) e patologias que potencialmente se manifestam como doenças hemorrágicas febris (como febre amarela e leptospirose). Casos clínicos reais foram inseridos para a discussão da quase totalidade dos principais diagnósticos diferenciais. No total, mais de 300 profissionais foram capacitados em aulas semanais (8 horas para cada turma) entre os meses de setembro e dezembro de 2015.
Desde janeiro de 2017, sou médico Equipe de Clínica Médica do Hospital São Lucas (Copacabana) aonde atuo como médico rotina em equipe constituída de diversas especialidades clinicas procurando agregar conhecimentos no manejo clínico de pacientes com diagnóstico inserido no campo das Doenças Infecciosas e Parasitárias e diagnósticos diferenciais. No Hospital São Lucas, devido a recursos humanos diferenciados auxiliados por exames de imagem e exames laboratoriais das mais diversas naturezas (sorologias, culturas, testes envolvidos antígenos entre outros exames fundamentais para a investigação etiológica) tive a oportunidade de contribuir para a realização de diagnósticos como tuberculose oftalmológica, tuberculose articular, neurosífilis, esporotricose, Síndrome de Reconstituição Imune em pacientes portadores da sida com introdução recente da terapêutica antirretroviral, Leptospirose (Síndrome de Weil), Histoplasmose pulmonar (como diagnóstico definitivo em paciente inicialmente admitido por pneumonia por COVID-19) entre outros diagnósticos. Desde agosto de 2020, visando oferecer uma melhor assistência à saúde dos pacientes que tive a oportunidade de acompanhar durante a internação como médico Equipe de Clínica Médica do Hospital São Lucas, passei a fazer parte do Centro de Especialidades Médicas São Lucas atendendo na especialidade de Infectologia.